Nelson Xavier já trabalhou em mais de 50 filmes e 20 novelas, mas nos últimos anos teve a sua imagem atrelada à do médium mineiro Chico Xavier, ao interpretá-lo duas vezes no cinema – na produção de mesmo nome, de 2010, e em As Mães de Chico Xavier, lançado em abril passado. Neste fim de semana, ele volta às telonas em mais um longa-metragem espírita, O Filme dos Espíritos.
O ator, no entanto, não encarna o papel do médium novamente. Nelson Xavier vive o psiquiatra Levy, que trabalha em um hospital de deficientes mentais e é espírita. Logo no início do filme, seu personagem descobre que tem um câncer, mas a morte não lhe assusta. Xavier viveu a cena na vida real, em 2004, quando foi diagnosticado com câncer de próstata. O medo da morte, no entanto, já não lhe tira a tranquilidade. “Não posso dizer que estou preparado para a morte, mas admito que fiquei mais maduro e sereno em relação a ela depois dos filmes”, diz.
Em entrevista, Nelson Xavier fala sobre as mudanças que sofreu após o contato com o espiritismo e se diz na obrigação de retribuir o bem que, acredita, Chico Xavier fez em sua vida. “Hoje, acredito numa porção de coisas em que antes não acreditava e recebo isso como um presente, um prêmio que deve ser retribuído”, declara. Confira abaixo.
Você começou a filmar Chico Xavier dizendo-se ateu, mas já está no terceiro filme espírita. Depois deste último longa, você se considera religioso? Não gosto de resumir nada a religião, porque isso diminui as coisas. Mas antes eu me nomeava ateu, hoje não posso mais dizer que sou. Sempre acreditei que a frase dita por Jesus, “Amai-vos uns aos outros”, era a coisa mais revolucionária já dita por alguém, ainda mais por ter sido proferida há 2.000 anos. E vi que o Chico viveu assim, guiado por esse pensamento. Percebi também que acreditava nele, mas não o colocava em prática, ficava só reclamando do que os outros não faziam. Hoje, acredito numa porção de coisas em que antes não acreditava. A vivência com o universo do Chico me mudou muito. Tê-lo vivido me tornou próximo das coisas que ele disse, me emocionando a tal ponto que recebi tudo como um presente, um prêmio. Tenho que retribuir.
Então, fazer esses dois últimos filmes depois de Chico Xavier, com produções mais simples e de menor orçamento, foi uma forma de retribuição? Pois é. E este eu fiz porque o trabalho daquela gente nas Casas André Luiz é uma coisa tão fantástica que ninguém pode ficar indiferente. O trabalho que eles fizeram de ajudar oito jovens a realizar curtas-metragens, apoiando a vocação deles, foi muito interessante. Acho até que o filme superou as expectativas, já que foi o primeiro longa deles.
Em O Filme dos Espíritos, seu personagem, Levy, é psiquiatra no hospital das Casas André Luiz, que atende deficientes mentais na vida real. Como foi para você a gravação das cenas com os pacientes? Não há como passar incólume àquele pátio que aparece no filme. Eu conheci o local na hora de filmar, ao cruzar um corredor entre os pavilhões do hospital. Não vi nada, só ouvi o som das pessoas nas camas, os gemidos. Do outro lado, eu já estava chorando muito. E fiquei muito inspirado para fazer o Levy. Aprendi uma dimensão da caridade que não conhecia. Aqueles deficientes são tratados por aquelas pessoas como se fossem irmãos diletos, com uma alegria e uma generosidade extraordinárias.
O filme trata de temas bem marcantes para a doutrina espírita, como aborto, reencarnação, mediunidade, obsessão e vida após a morte. Seu pensamento sobre algum desses assuntos mudou? Sobre aborto, sempre pensei que a mulher tem que decidir o que fazer. Cada um escolhe seu destino, e isso continuo pensando. Sobre os outros temas, eu tinha uma posição meio neutra, mas agora estou achando que é verdade, que é possível que a comunicação entre os dois mundos exista.
Nos três filmes espíritas de que você participou, os seus personagens lidam diretamente com a morte. E você, como encara essa questão hoje? Não posso dizer que estou preparado, mas admito que fiquei mais maduro e sereno em relação à morte. O câncer que descobri em mim há oito anos, antes do filme do Chico, também foi parte desse processo todo. Caí num abismo e quem me ajudou a levantar foi minha mulher, Via Negromonte. Uma experiência dessas coloca a gente frente a questões que não se enfrentam normalmente. Quando o filme do Chico apareceu, de certo modo foi bom ter tido câncer, eu estava mais sensível a essas questões. Foi como uma preparação.
Há previsão de um novo longa espírita? Não apareceu outro convite. Se aparecer algo interessante, posso analisar. Mas também não quero começar a fazer filme espírita sem parar. Faço bandido, também, a vida continua, é meu ofício.
E quais são seus próximos projetos? Nos próximos dois meses, devo estrear uma espécie de monólogo com um texto composto, entre outras coisas, por falas do Chico Xavier em várias ocasiões. Ele disse tanta coisa incrível sobre o amor e a caridade que acho importante reproduzir. Em um certo momento, eu o interpreto. Em outros, falo frases dele. A seleção foi feita pelo meu amigo escritor Ivan Jaf. A direção é da minha mulher, Via Negromonte.
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net
sábado, 22 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Evangelizando corações - crianças
"Foi então que o Senhor, compadecendo-se dos homens, lhes enviou um tesouro de inapreciável importância... Com ele, apareceu a escola, a educação foi consolidada na Terra e, com a educação, o povo começou a livrar-se do mal."
O mundo vivia em grandes perturbações...
As criaturas andavam empenhadas em conflitos constantes, assemelhando-se aos animais ferozes, quando em luta violenta.
Os ensinamentos dos homens bons, prudentes e sábios eram rapidamente esquecidos, porque, depois da morte deles, ninguém mais lhes lembrava a palavra orientadora e conselheira.
A Ciência começava com o esforço de algumas pessoas dedicadas à inteligência; entretanto, rapidamente desaparecia porque lhe faltava continuidade. Era impraticável o prosseguimento das pesquisas louváveis, sem a presença dos iniciadores.
Por isso, o povo, como que sem luz, recaía sempre nos grandes erros, dominado pela ignorância e pela miséria.
Foi então que o Senhor, compadecendo-se dos homens, lhes enviou um tesouro de inapreciável importância, com o qual se dirigissem para o verdadeiro progresso.
Esse tesouro é o livro...
Com ele, apareceu a escola, com a escola, a educação foi consolidada na Terra e, com a educação, o povo começou a livrar-se do mal, conscientemente.
Muitos homens de cérebro transviado escrevem maus livros, inclinando a alma do mundo ao desespero e à ironia, ao desânimo e à crueldade, mas, as páginas dessa natureza são apressadamente esquecidas, porque o livro é realmente uma dádiva de Deus à Humanidade para que os grandes instrutores possam clarear o nosso caminho, conversando conosco, acima dos séculos e das civilizações.
É pelo livro que recebemos o ensinamento e a orientação, o reajuste mental e a renovação interior.
Dificilmente poderíamos conquistar a felicidade sem a boa leitura, O próprio Jesus, a fim de permanecer conosco, legou-nos o Evangelho de Amor, que e, sem dúvida, o Livro Divino em cujas lições podemos encontrar a libertação de todo o mal...
(Do livro "Pai Nosso", cap. 38, Meimei (Espírito), Francisco C. Xavier (Psicografia)
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outros-temas/evangelizando-coracoes-criancas/#ixzz1abbgXDnZ
O mundo vivia em grandes perturbações...
As criaturas andavam empenhadas em conflitos constantes, assemelhando-se aos animais ferozes, quando em luta violenta.
Os ensinamentos dos homens bons, prudentes e sábios eram rapidamente esquecidos, porque, depois da morte deles, ninguém mais lhes lembrava a palavra orientadora e conselheira.
A Ciência começava com o esforço de algumas pessoas dedicadas à inteligência; entretanto, rapidamente desaparecia porque lhe faltava continuidade. Era impraticável o prosseguimento das pesquisas louváveis, sem a presença dos iniciadores.
Por isso, o povo, como que sem luz, recaía sempre nos grandes erros, dominado pela ignorância e pela miséria.
Foi então que o Senhor, compadecendo-se dos homens, lhes enviou um tesouro de inapreciável importância, com o qual se dirigissem para o verdadeiro progresso.
Esse tesouro é o livro...
Com ele, apareceu a escola, com a escola, a educação foi consolidada na Terra e, com a educação, o povo começou a livrar-se do mal, conscientemente.
Muitos homens de cérebro transviado escrevem maus livros, inclinando a alma do mundo ao desespero e à ironia, ao desânimo e à crueldade, mas, as páginas dessa natureza são apressadamente esquecidas, porque o livro é realmente uma dádiva de Deus à Humanidade para que os grandes instrutores possam clarear o nosso caminho, conversando conosco, acima dos séculos e das civilizações.
É pelo livro que recebemos o ensinamento e a orientação, o reajuste mental e a renovação interior.
Dificilmente poderíamos conquistar a felicidade sem a boa leitura, O próprio Jesus, a fim de permanecer conosco, legou-nos o Evangelho de Amor, que e, sem dúvida, o Livro Divino em cujas lições podemos encontrar a libertação de todo o mal...
(Do livro "Pai Nosso", cap. 38, Meimei (Espírito), Francisco C. Xavier (Psicografia)
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sábado, 1 de outubro de 2011
Suicidar-se, nunca!
Meu caro leitor, se você é daquelas pessoas que está enfrentando difícil fase de sua existência, com escassez de recursos financeiros, enfermidades ou complexos desafios pessoais (na vida familiar ou não) e está se sentindo muito abatido, gostaria de convidá-lo a uma grave reflexão.
Todos temos visto a ocorrência triste e dramática daqueles que se lançam ao suicídio, das mais variadas formas. A idéia infeliz surge, é alimentada pelo agravamento dos problemas do cotidiano e concretiza-se no ato infeliz do auto-extermínio.
Diante de possíveis angústias e estados depressivos, não há outro remédio senão a calma, a paciência e a confiança na vida, que sempre nos reserva o melhor ou o que temos necessidade de enfrentar para aprender. Ações precipitadas, suicídios e atos insanos são praticados devido ao desespero que atinge muitas pessoas que não conseguem enxergar os benefícios que as cercam de todos os lados.
Mas é interessante ressaltar que estes estados de alma, de desalento, de angústias, de atribulações de toda ordem, não são casos isolados. Eles integram a vida humana. Milhões de pessoas, em todo mundo, lutam com esses enigmas como alunos que quebram a cabeça tentando resolver exercícios de física ou matemática. Mas até uma criança sabe que o problema que parece insolúvel não se resolverá rasgando o caderno e fugindo da sala de aula.
Sim, a comparação é notável. Destruir o próprio corpo, a própria vida, como aparente solução é uma decisão absurda. Vejamos os problemas como autênticos desafios de aprendizado, nunca como castigos ou questões insuperáveis. Tudo tem uma solução, ainda que difícil ou demorada.
O fato, porém, é que precisamos sempre resistir aos embates do cotidiano com muita coragem e determinação. Viver é algo extraordinário. Tudo, mas tudo mesmo, passa. Para que entregar-se ao desespero? Há razões de sobra para sorrir, rir e viver...!
O suicídio é um dos maiores equívocos humanos, para não dizer o maior. A pessoa sente-se pressionada por uma quantidade variável de desafios, que julga serem problemas sem solução, e precipita-se na ilusão da morte. Sim, ilusão, porque ninguém consegue auto-exterminar-se. E o suicídio agrava as dificuldades porque aí a pessoa sente o corpo inanimado, cuja decomposição experimenta com os horrores próprios, pressionada agora pelo arrependimento, pelo remorso, sem possibilidade de retorno imediato para refazer a própria vida. Em meio a dores morais intensas, com as sensações físicas próprias, sentindo ainda a angústia dos seres queridos que com ele conviviam, o suicida torna-se um indigente do além.
Como? Sim, apenas conseqüências do ato extremo, nunca castigo. Isto tudo por uma razão muito simples: não somos o corpo, estamos no corpo. Somos espíritos reencarnados, imortais. E a vida nunca cessa, ela continua objetivando o aprimoramento moral e intelectual de todos os filhos de Deus. Suicidar-se é ilusão. Os desafios existenciais surgem exatamente para promover o progresso, convidando à conquista de virtudes e o desenvolvimento da inteligência. A oportunidade de viver e aprender é muito rica para ser desprezada. E quando alguém a descarta, surgem conseqüências naturais: o sofrimento físico, pela auto-agressão e o sofrimento moral do arrependimento e da perda de oportunidades. Muitos talvez, poderão perguntar-se: Mas de onde vem essas informações?
A Revelação Espírita trouxe essas informações. São os próprios espíritos que trouxeram as descrições do estado que se encontram depois da morte. Entre eles, também os suicidas descrevem os sofrimentos físicos e morais que experimentam. Sim porque sendo patrimônio concedido por Deus, a vida interrompida por vontade própria é transgressão à sua Lei de Amor. Como uma criança pequena que teima em não ouvir os pais e coloca os dedos na tomada elétrica.
Para os suicídios há atenuantes e agravantes, mas sempre com conseqüências dolorosas e que vão requerer longo tempo de recuperação. Deus, que é Pai bondoso e misericordioso, jamais abandona seus filhos e concede-lhes sempre novas oportunidades. Aí surge a reencarnação como caminho reparador, em existências difíceis que apresentam os sintomas e aparências do ato extremo do suicídio. Há que se pensar nos familiares, cônjuges, pais e filhos, na dor que experimentam diante do suicídio do ser querido. Há que se pensar no arrependimento inevitável que virá. Há que se ponderar no desprezo endereçado à vida. Há, mais ainda, que se buscar na confiança em Deus, na coragem, na prece sincera, nos amigos (especialmente o maior deles, Jesus), a força que se precisa para vencer quaisquer idéias que sugiram o auto-extermínio.
Meu amigo, minha amiga, pense no tesouro que é tua vida, de tua família! Jamais te deixes enganar pela ilusão do suicídio. Viva! Viva intensamente! Com alegria! Que não te perturbe nem a dificuldade, nem a enfermidade, nem a carência material. Confie, meu caro, e prossiga!
O que é Sexo?
Muito se tem escrito e discutido, nos últimos tempos, no movimento espírita a questão homossexual. Mas, a discussão me parece fora do seu problema real. Numa boa aplicação do pensamento lógico, antes de se abordar a parte, deve-se conseguir uma clara visão do todo.
Está a se debater o homossexualismo, sem haver sido deslindada a problemática sexual. Cabe "incorporarmos" o método socrático, e sairmos pela imensa "Agora" que e a Web, inquirindo, principalmente dos espíritas que pretendem saber do assunto: "O que e o sexo?"
Foi dessa forma que Sócrates desmascarou a pretensa "sabedoria" de muitos dos seus contemporâneos.
Estudando a Codificação e as obras espíritas, psicografadas ou não, a que tivemos acesso, e pensamos adequadas, não conseguimos, ate o momento, fazer uma idéia clara do que, em ultima analise, seja "sexo".
No Livro dos Espíritos, a única abordagem direta sobre o assunto, e a seguinte: "Les Esprits ont-ils des sexes? 'Non point comme vous l'entendez, car les sexes dependent de l'organisation. Il y a entre eux amour et sympathie, mais fondes sur la similitude des sentiments'" ("Os Espíritos tem sexos? 'Não como vos o entendeis, porque os sexos dependem da organização. Existe entre eles amor e simpatia, porem fundados sobre a similitude dos sentimentos'") (questão 200 - nos ativemos o mais perto possível, na tradução, do original).
Em francês, o termo "organisation" ao tempo de Kardec, tinha os mesmo significados que em português e, também, de "organismo", sendo que, hoje em dia, neste sentido, e empregado, como em nossa língua, com um complemento aclamatório: "organização física, corporal, orgânica" etc.).
Segundo a resposta, os Espíritos estão destituídos de sexo, no sentido biológico, isto e, não possuem aparelho reprodutor, logo, também não tem hormônios sexuais em sua estrutura. E, é claro que não poderiam tê-los, pois não se reproduzem. Ainda, segundo a resposta, eles se vinculam por "sentimento", por afinidade eletiva.
Fica, contudo, uma pergunta, sendo que o corpo e estruturado e mantido pela organização perispiritual, de onde vem o impulso que fixa, durante a embriogenese, a definição sexual? Mas, busquemos respostas efetivas, e não "petitio principii", ou floreios verbais muito bonitos, mas sem significação concreta, tais como: "almas passivas e almas ativas", pois ainda cabe perguntar, o que são almas passivas, e porque o são, assim como as ativas.
Como vemos, uma resposta desse tipo e adiar o problema, e não solucioná-lo. Freud concebeu o sexo, em ultima analise, como uma forma de energia, a libido.
Os teosofistas e hinduístas também se referem a uma energia sexual, própria da alma que, a semelhança da libido, pode ser "sublimada", ou seja, transferida para outro tipo de atividade do individuo. André Luiz descreve o sexo como uma manifestação de uma energia, o amor, pelo qual os seres se alimentam uns aos outros.
Então, deveremos entender que os Espíritos, na Codificação, ao falar de "amor e simpatia", estavam falando de uma energia sexual da alma? Uma espécie de "libido"? Mas, permanece a questão, o que e o sexo? Como ele se diferencia, quando a alma encarna?
Creio que este é o melhor caminho para podermos, a partir de princípios solidamente estabelecidos, discutirmos, não só o homossexualismo, mas todas as formas de manifestação da sexualidade.
Inclusive a mais grave: a pratica sexual de forma geral. Porque, senão, estaremos a dividir o mundo entre os certos (os heterossexuais) e os errados (os homossexuais).
E será que nós, os heterossexuais estamos corretos pelo simples fato de o sermos? E não falamos apenas de perversões ou sexolatria, mas sim da "normalidade" da pratica sexual.
O que é o "normal", neste lado? Existirá um "check list" de atos, atitudes, palavras e pensamentos que podem, ou não, serem realizados durante o ato sexual?
O ato sexual entre parceiros sem compromisso matrimonial é certo ou não? Isto sem referencia ao adultério, que eticamente e incorreto. Voltamos a frisar que nos referimos a sexualidade hetero.
Ora, com tantas coisas a resolvermos, que dizem respeito a nossa vivencia sexual, esperamos que os que vivem a "ditar catedra" quanto a homossexualidade, já tenham resolvido estas "simples" questões em suas vidas.
De minha parte, posso dizer que ainda estou meditando sobre elas, e buscando respostas, mesmo aos 57 anos de idade, uma viuvez e dois casamentos, isto sem enfrentar a angustiante problemática da homossexualidade.
(Retirado do Boletim GEAE Número 272 de 23 de dezembro de 1997)
Integração do Centro Espírita na Sociedade
Temos visto Centros
Espíritas insistirem em se colocar numa atuação intra-muros, desvinculados até
mesmo da rua em que se localizam, completamente alheios à comunidade que os
envolve. Erro fatal para divulgação da própria Doutrina Espírita, que dirá para
o esclarecimento do ser humano!
Sendo o Centro Espírita uma estrutura social
humana, embora com ascendente espiritual, insere-se que ele faça parte – e o
faz – da sociedade dos homens. Está, portanto, na dinâmica de relacionamento
dos seres que vivem em coletividade. Se assim não fosse, seu isolamento o
igrejificaria, tornando-o apenas um ponto de convergência religioso que,
historicamente, já sacrificou diversas religiões que transcende o aspecto
meramente religioso, e que ele deve ser entendido como um doutrina, um conjunto
de princípios norteadores da vida. Sua base filosófica é mesmo sua força, mas
que não se perde no labirinto confuso dos sofismas, porque tem por razão a
pesquisa científica. Acreditamos na reencarnação pela lógica, pelo bom-senso e
pelos fatos comprovados. E a religião, que deve esclarecer o homem quanto à sua
origem, destinação e ligação com Deus, no Espiritismo ganha vida prática,
porque entranha-se no dia-a-dia do cotidiano humano. Só compreendemos a
paternidade divina se a vivenciarmos em nós e para os outros.
O isolamento é sempre um mal que devemos
combater. Ninguém se forma em medicina pelo simples fato de cursar teoria
médica na universidade. E a prática? O mesmo raciocínio devemos aplicar no
Espiritismo. Não basta freqüentar um Centro Espírita para tornar-se Espírita. É
preciso aprender na teoria e vivenciar na prática. Essa conjugação deve ser
propiciada pelo Centro Espírita dentro de sua organização e também para fora
desta.
O Centro Espírita que se isola da sociedade não
participando das problemáticas desta, tende a se distanciar dos interesses da
mesma, pois não estará colocando o Espiritismo ao nível das aspirações humanas.
São de dois tipos a forma de participação na
sociedade: interior e exterior.
Comecemos pela forma interior.
A programação de estudo doutrinário do Centro
Espírita não pode obedecer a padrões rígidos, inflexíveis e mesmo cegos, de
abordagem das obras da Codificação. "O Livro dos Espíritos" é
dinâmico e contém temas que se prestam à análise das vicissitudes do homem na
Terra. Sua leitura deve ser feita com duplo interesse: conhecer o Espiritismo e
esclarecer o homem quanto ao uso que faz de sua potencialidade intelectual e
moral. Em outras palavras: o estudo das obras da Codificação deve estar
associado à discussão dos temas cotidianos da vida, para que o freqüentador do
Centro Espírita saiba colocar em prática a doutrina que aprende. É por isso que
Kardec se preocupou em agrupar perguntas e respostas por temas, e nos coloca
tanto diante do "aborto" quanto do "conhece-te a ti mesmo".
Preparar o homem para bem viver na sociedade é tarefa do núcleo espírita.
Exteriormente temos a ação espírita nos setores
da assistência social, do evangelho no lar, da aplicação domiciliar do passe,
da utilização das artes e mesmo das realizações beneficentes para angariação de
fundo financeiro. Todas essas demonstrações da prática espírita envolvem o
elemento social. São feitas com a participação do homem no seio da sociedade.
Destinam-se a estar com ele no que ele é, onde está e com suas necessidades
imediatas. As atividades externas do Centro Espírita devem se adequar ao
público que irá atingir, o que requer planejamento, organização e trabalhadores
conscientes, o que só poderá ocorrer se estes forem bem assistidos no interior
do Centro Espírita.
Quando visitamos alguém para aplicação do passe
ou pequena leitura evangélica, estamos colocando em prática, vivenciando, o
aprendizado espírita que o Centro nos forneceu. Estamos agindo na sociedade e
sendo porta-voz do Espiritismo através da ação mais contundente que existe: o
próprio exemplo. Nossa conduta, muito além que nossas palavras, dirá da nossa
convicção e retratará a doutrina e a instituição que representa.
O Centro Espírita não é uma igreja parada no
tempo. É um lar/escola dinâmico que visa carinho e afeto, estudo e trabalho,
sempre preocupado em colocar o Espiritismo ao alcance de seus freqüentadores e
respondendo às dúvidas e observações as mais diversas, tendo por base a
codificação kardeciana. Não lhe cabe agir como instrumento político, mas
cabe-lhe fazer a política da educação espiritual das almas que lhe comungam os
ideais.
Temos visto Centros Espíritas insistirem em se
colocar numa atuação intra-muros, desvinculados até mesmo da rua em que se
localizam, completamente alheios à comunidade que os envolve. Erro fatal para
divulgação da própria Doutrina Espírita, que dirá para o esclarecimento do ser
humano!
As reuniões públicas de estudo, como o nome já
indica, são feitas para a população, para todos os interessados, seja qual for
o motivo que os levou ao Centro, pois procuram o Espiritismo e devem ser
atendidos. Entretanto, como pode o público acorrer ao Centro Espírita se não é
informado do que neste acontece?
Uma placa na entrada com os dias e horários das
atividades. Uma recepção com distribuição de mensagens avulsas, jornais e
revistas espíritas, além de prestar todas as informações aos visitantes. Um
boletim informativo que possa ser distribuído gratuitamente. Um cartaz nas
associações de moradores da localidade. Pequenos exemplos de serviços que podem
ser executados para a boa integração do Centro Espírita na sociedade, além de
outro serviço muito importante: o exemplo, o ir em socorro ao próximo, não
esperando apenas que este venha à procura.
A falta de renovação dos trabalhadores do Centro
Espírita, quando não ocasionada por distorções administrativas, pode ter sua
origem no isolacionismo em que se acomoda o núcleo representante da Doutrina,
fazendo um Espiritismo fechado em quatro paredes.
Que um grupo familiar não se renove é
compreensível, afinal trata-se de um grupo restrito e de caráter domiciliar,
mas um Centro Espírita deve obedecer a uma organização ativa e participativa,
integrada no conhecimento e solução dos problemas sociais, mesmo que para isso
o trabalho tenha de ser de longo curso, até a conscientização dos que
freqüentam as atividades realizadas em seu interior.
A todo freqüentador deve ser mostrada a diferença
existente entre ele e um trabalhador, pois sentar e ouvir uma palestra e depois
tomar o passe, sem nenhum vínculo de responsabilidade, não o pode categorizar
como um trabalhador sincero do Centro Espírita, que dedica seu tempo,
voluntariamente, para a causa que abraça. Para isso, deve o Centro Espírita
permitir a participação de todos os que o procuram, nos diversos serviços
existentes, dando a cada um segundo o seu conhecimento e experiência.
Assim temos que a integração do Centro Espírita
na sociedade é inevitável e inadiável.
Se o Espiritismo existisse apenas para os
desencarnados, o Centro Espírita não teria razão de existir, pois é de todos os
tempos sabido que o intercâmbio mediúnico não é privilégio de ninguém, podendo
ser praticado em qualquer lugar, embora reconheçamos que o Centro Espírita é o
local melhor indicado, pela seriedade, reconhecimento e estudo que o
caracteriza.
O Espiritismo está no mundo para interagir como
todo o conhecimento humano, e o Centro Espírita existe para conviver com toda a
sociedade humana.
(Publicado no Dirigente Espírita no 66 de julho/agosto de 2001)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Persistência e Fé
Esta é
a história de um garoto que vivia só com seu pai. Ambos tinham uma relação de
amizade e respeito muito especial.
O menino pertencia à equipe de futebol americano da escola, normalmente não tinha oportunidade de jogar, ou melhor, quase nunca. Mesmo assim seu pai permanecia sempre nas grades lhe fazendo companhia.
Quando entrou no segundo grau, ele era o mais baixo da classe, mas insistia em participar da equipe de futebol do colégio. E seu pai sempre orientava e explicava que ele não tinha que jogar se não quisesse realmente.
Mas o garoto amava o futebol e não faltava em nenhum treino ou jogo. Estava decidido a dar o melhor de si e se sentia comprometido. Os colegas o chamavam de esquenta banco, porque vivia sentando como reserva...
No entanto, seu pai, com espírito lutador, sempre estava nas grades fazendo-lhe companhia, dizendo-lhe palavras de consolo e dando-lhe todo apoio que um filho podia esperar.
Quando ingressou na Universidade, tentou entrar na equipe de futebol, e todos estavam certos de que não conseguiria, mas ele conseguiu entrar na equipe.
O treinador disse-lhe que o tinha aceitado porque ele demonstrava jogar de corpo e alma em cada um dos treinos e, ao mesmo tempo, transmitia à equipe grande entusiasmo.
A notícia encheu seu coração por completo, correu ao telefone mais perto e ligou para seu pai, que compartilhou com ele a emoção.
Sempre enviava ao pai os ingressos para assistir aos jogos da Universidade. O jovem atleta era muito persistente, nunca faltou a nenhum treino ou jogo durante os 4 anos da Universidade e também nunca teve a chance de participar de nenhum jogo.
Era a final da temporada e justo alguns minutos antes de começar o primeiro jogo das eliminatórias, o treinador lhe entregou um telegrama.
O jovem leu e ficou em silêncio por alguns instantes...
Respirou fundo e, tremendo, disse ao treinador: Meu pai morreu esta manhã.
Existe algum problema se eu faltar no jogo hoje?
O treinador o abraçou e disse: Tire o resto da semana de folga, filho, e nem pense em vir no sábado.
Chegou o sábado e o jogo não estava bom...
Quando a equipe estava com dez pontos de desvantagem, o jovem entrou no vestiário, colocou o uniforme em silêncio, correu até o treinador e lhe fez um pedido, quase uma súplica:
Por favor, deixe-me jogar! Eu tenho que jogar hoje, falou com insistência.
O treinador não queria escutá-lo. Afinal, não podia deixar que seu pior jogador entrasse no final das eliminatórias.
Mas o jovem insistiu tanto que, finalmente, o treinador, sentindo pena, deixou:
Ok, filho, pode entrar, o campo é todo seu...
Minutos depois o treinador, a equipe e o público não podiam acreditar no que estavam vendo.
O pequeno desconhecido, que nunca tinha participado de nenhum jogo, estava sendo brilhante. Ninguém podia detê-lo no campo, corria facilmente como uma estrela.
Sua equipe começou a fazer pontos até empatar o jogo e, nos últimos segundos, o rapaz interceptou um passe e correu por todo o campo até fazer o último ponto... E graças a ele a sua equipe foi vencedora.
As pessoas que estavam nas grades gritavam emocionadas e ele foi carregado por todo o campo.
Finalmente, quando tudo terminou, o treinador notou que o jovem se afastara dos outros e estava sentado, em silêncio e pensativo.
Aproximou-se dele e falou: Garoto, não posso acreditar! Esteve fantástico!
Conte-me como conseguiu!
O rapaz olhou para o treinador e lhe disse:
O senhor sabe que meu pai morreu... mas o que o senhor não sabia é que ele era cego.
Meu pai assistiu a todos os meus jogos, mas hoje era a primeira vez que ele podia me ver jogando...
E com um sorriso molhado de lágrimas concluiu:
Eu quis mostrar a ele que sim, que eu podia jogar bem.
* * *
Persistir num ideal, acreditar nas próprias forças, jamais desanimar, nem mesmo diante da morte, pois ela é a grande porta de acesso à Imortalidade gloriosa...
(http://www.momento.com.br/exibe_texto.php?id=2745)
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/mensagens-de-animo/persistencia-e-fe-linda-historia/#ixzz1Y9s5Ku3x
O menino pertencia à equipe de futebol americano da escola, normalmente não tinha oportunidade de jogar, ou melhor, quase nunca. Mesmo assim seu pai permanecia sempre nas grades lhe fazendo companhia.
Quando entrou no segundo grau, ele era o mais baixo da classe, mas insistia em participar da equipe de futebol do colégio. E seu pai sempre orientava e explicava que ele não tinha que jogar se não quisesse realmente.
Mas o garoto amava o futebol e não faltava em nenhum treino ou jogo. Estava decidido a dar o melhor de si e se sentia comprometido. Os colegas o chamavam de esquenta banco, porque vivia sentando como reserva...
No entanto, seu pai, com espírito lutador, sempre estava nas grades fazendo-lhe companhia, dizendo-lhe palavras de consolo e dando-lhe todo apoio que um filho podia esperar.
Quando ingressou na Universidade, tentou entrar na equipe de futebol, e todos estavam certos de que não conseguiria, mas ele conseguiu entrar na equipe.
O treinador disse-lhe que o tinha aceitado porque ele demonstrava jogar de corpo e alma em cada um dos treinos e, ao mesmo tempo, transmitia à equipe grande entusiasmo.
A notícia encheu seu coração por completo, correu ao telefone mais perto e ligou para seu pai, que compartilhou com ele a emoção.
Sempre enviava ao pai os ingressos para assistir aos jogos da Universidade. O jovem atleta era muito persistente, nunca faltou a nenhum treino ou jogo durante os 4 anos da Universidade e também nunca teve a chance de participar de nenhum jogo.
Era a final da temporada e justo alguns minutos antes de começar o primeiro jogo das eliminatórias, o treinador lhe entregou um telegrama.
O jovem leu e ficou em silêncio por alguns instantes...
Respirou fundo e, tremendo, disse ao treinador: Meu pai morreu esta manhã.
Existe algum problema se eu faltar no jogo hoje?
O treinador o abraçou e disse: Tire o resto da semana de folga, filho, e nem pense em vir no sábado.
Chegou o sábado e o jogo não estava bom...
Quando a equipe estava com dez pontos de desvantagem, o jovem entrou no vestiário, colocou o uniforme em silêncio, correu até o treinador e lhe fez um pedido, quase uma súplica:
Por favor, deixe-me jogar! Eu tenho que jogar hoje, falou com insistência.
O treinador não queria escutá-lo. Afinal, não podia deixar que seu pior jogador entrasse no final das eliminatórias.
Mas o jovem insistiu tanto que, finalmente, o treinador, sentindo pena, deixou:
Ok, filho, pode entrar, o campo é todo seu...
Minutos depois o treinador, a equipe e o público não podiam acreditar no que estavam vendo.
O pequeno desconhecido, que nunca tinha participado de nenhum jogo, estava sendo brilhante. Ninguém podia detê-lo no campo, corria facilmente como uma estrela.
Sua equipe começou a fazer pontos até empatar o jogo e, nos últimos segundos, o rapaz interceptou um passe e correu por todo o campo até fazer o último ponto... E graças a ele a sua equipe foi vencedora.
As pessoas que estavam nas grades gritavam emocionadas e ele foi carregado por todo o campo.
Finalmente, quando tudo terminou, o treinador notou que o jovem se afastara dos outros e estava sentado, em silêncio e pensativo.
Aproximou-se dele e falou: Garoto, não posso acreditar! Esteve fantástico!
Conte-me como conseguiu!
O rapaz olhou para o treinador e lhe disse:
O senhor sabe que meu pai morreu... mas o que o senhor não sabia é que ele era cego.
Meu pai assistiu a todos os meus jogos, mas hoje era a primeira vez que ele podia me ver jogando...
E com um sorriso molhado de lágrimas concluiu:
Eu quis mostrar a ele que sim, que eu podia jogar bem.
* * *
Persistir num ideal, acreditar nas próprias forças, jamais desanimar, nem mesmo diante da morte, pois ela é a grande porta de acesso à Imortalidade gloriosa...
(http://www.momento.com.br/exibe_texto.php?id=2745)
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Divulgação Espírita da Juventude 2011
Participe da
mostra de conhecimento "Divulgação Espírita da Juventude 2011" -
Tema: Mediunidade à Luz da Doutrina Espírita. Dias 24/09, das 16h00 às 19h30 e
27/09, das 20h00 às 21h30, no salão da DEIJ-FAK. Excelente oportunidade de
integração da juventude ! Realização: Diretoria de Evangelização de Infância e
Juventude da FAK (DEIJ-FAK)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Que é Deus ?
O professor Rivail, já utilizando
desde então o codinome "Allan Kardec", abre o capítulo primeiro, do
livro primeiro da codificação da Doutrina (Ensinamentos) dos Espíritos, com a
pergunta título deste artigo.
Kardec já tomava por base que para
iniciar e ter total empenho nas suas pesquisas espíritas, nunca seria demais a
máxima frieza e o sistemático controle das paixões evitando descambar-se para a
religiosidade muito forte da época, para a curiosidade pueril, para a sede do
sobrenatural ou quaisquer manifestações deste gênero. Tanta convicção tinha
neste comportamento que mais adiante advertiria os seus seguidores: "O
Espiritismo será científico ou não subsistirá".
Recebeu dos Espíritos que
"assinam" os prolegômenos de "O livro dos Espíritos" a
resposta mais próxima da verdade científica até hoje já concebida: - Deus é a
inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.
A lei básica que rege o Universo
(todas as coisas) é a lei de Causa e Efeito ou Ação e Reação, como é conhecida
no meio científico. Para um efeito inteligente sempre haverá uma causa
inteligente correspondente.
Para que possamos chegar próximos a
entender o que é Deus, devemos fazer um esforço para idealizarmos mais ou menos
o que seria o Universo, começando portanto pela tomada de consciência do espaço
tridimensional (comprimento, largura e altura) que ocupamos no mesmo, passando
daí para a percepção do espaço da nossa residência, bairro, cidade, estado,
país, continente e planeta Terra com seus 40.000 quilômetros de extensão na
circunferência. A Terra faz parte de um sistema solar que possui apenas 9
planetas com 57 satélites no total de 68 corpos celestes. A "grosso
modo" em relação a outros astros do sistema solar, a Terra possui um
volume 49 vezes maior que o da lua e 1.300.000 vezes menor que o do sol. É
preciso que tenhamos noção de sua pouca importância diante do restante do
Universo.
Nosso sistema solar faz parte de uma
pequena galáxia conhecida por Via Láctea, um aglomerado de cerca de 100 bilhões
de estrelas, com pelo menos cem milhões de planetas e conforme os astrônomos,
no mínimo cem mil com vida inteligente e mil com civilizações mais evoluídas
que a nossa.
As últimas observações do telescópio
Hubble (em órbita), elevaram o número de galáxias conhecidas para 50 milhões.
Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar
(possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a 1 quatrilhão
de sóis.
Diante destes números pensaríamos
haver chegado na idéia do que é o Universo; ledo engano, pois estas áreas, ou
melhor, volumes, representariam apenas 3% do que seria a totalidade de tudo
dentro do tridimensional e espaço / tempo como conhecemos. Os espaços
interplanetários, interestrelares e intergalácticos, obviamente, formariam a
maior parte daquilo que chamamos de Universo.
Os fenômenos de aporte (transporte de
matéria através de outras dimensões) tão conhecidos dos pesquisadores da
paranormalidade e a anti-matéria já produzida em laboratórios experimentais
mais desenvolvidos através do planeta, nos dão a confirmação dos estudos de
pesquisadores da capacidade de um Friedrich Zöllner, que no século passado ,
comprova a existência da quarta dimensão e conseqüentemente outros tantos
Universos, quantas tantas dimensões for possível conhecermos.
A teoria mais moderna da criação do
Universo, nos remete não apenas para o Bigbang (a grande explosão) início de
tudo, mas, para a idéia de vários bigbangs, com Universos cíclicos através de
quatrilhões ou mais de anos.
E aí? Será que conseguimos chegar
perto da idéia da concepção e tamanho da obra de Deus, para tentar entendê-lo?
Não seria no mínimo estranho que após
esta monumental obra inteligente, Deus colocasse em um planeta que representa
um ínfimo grão de areia em uma cadeia de montanhas como o Himalaia, sua grande
criação, o homem, feito sua imagem e semelhança?
Nosso grande irmão e amigo Jesus, há
2000 anos, já passava em forma de contos e parábolas vários conhecimentos
intelectuais e morais que possuía devido ao seu grande estado evolutivo, quando
em missão entre nós, confiada pelo Criador afirmou: "Na casa de meu pai
existem muitas moradas".
Para concluirmos esta nossa pequena
intenção de lançarmos nossos confrades na especulação ao entendimento do que
seria Deus, iremos nos valer da "coleção de livros" chamada Bíblia,
que no entender do grande intelectual e eminente espírita Dr. Carlos Imbassahy,
é um livro como outro qualquer, em que nos seus textos contém tudo que a gente
queira para justificar, a favor ou contra qualquer coisa.
No Antigo Testamento, Livro Gênesis,
Capítulo 1 (Criação do homem), versículo 26 temos: "e (por fim) disse:
Façamos o homem à nossa imagem e semelhança (sic...)".
Se tomarmos como verdadeira a
hipótese de que a Bíblia é a palavra de Deus, qual seria a imagem correta do
nosso Criador? Um homem ou mulher? Velho, ariano de barbas longas ou de cor
negra, e magro como os etíopes (teoricamente os primeiros hominídeos) ?
Não seria melhor tentarmos entender
uma concepção mesmo que não a conheçamos bem? Como por exemplo: o que sabemos a
respeito do que somos (espírito)? Qual a imagem fiel que temos do mesmo?
Ninguém sabe, ou melhor, conhecemos bem o corpo material, e relativamente o
periespiritual, mas não o espírito. Conforme Allan Kardec, o espírito é alguma
coisa formado por uma substância, mas cuja matéria, que afeta nossos sentidos,
ele não nos pode dar uma idéia.
Pode-se compará-lo a uma chama ou
centelha cujo clarão varia de acordo com o grau de sua depuração. Sendo assim,
pois, teríamos o entendimento melhor de nossa imagem de acordo com a de Deus.
No tocante a semelhança é mais fácil
a sua comparação quando procuramos compreender a eternidade, já que a palavra
pressupõe algo que não tem início nem fim, como Deus; que é infinito, único,
perfeito e todo-poderoso. Já ao passo que nós somos algo como semi-eternos;
tivemos um começo criado por Ele e evoluímos na Sua direção conforme o Seu
desejo.
Mediunidade no tempo de Jesus
“Se alguém julga ser profeta ou inspirado pelo
Espírito, reconheça um
mandamento do Senhor nas coisas que estou escrevendo para vocês” (PAULO, aos coríntios).
mandamento do Senhor nas coisas que estou escrevendo para vocês” (PAULO, aos coríntios).
Introdução
A mediunidade é uma
faculdade humana que consiste na sintonia espiritual entre dois seres.
Normalmente, a usamos para designar a influência de um Espírito desencarnado
sobre um encarnado, entretanto, julgamos que, acima de tudo, por se tratar de
uma aquisição do Espírito imortal, pouco importa a situação em que se encontram
esses dois seres, para que se processe a ligação espiritual entre eles.
É comum que ataques ao
Espiritismo ocorram por conta desse “dom”, como se ele viesse a acontecer
exclusivamente em nosso meio. Ledo engano, pois, conforme já o dissemos, é uma
faculdade humana, e assim sendo, todos a possuem, variando apenas quanto ao seu
grau.
Os detratores querem, por
todos os meios, fazer com que as pessoas acreditem que isso é coisa nova, mas
podemos provar que a mediunidade não é coisa nova e que até mesmo Jesus dela
pode nos dar notícias. É o que veremos a seguir.
A mediunidade e Jesus
Quando Jesus recomenda a
seus doze discípulos a divulgação de que o “reino do Céu está próximo” fica
evidenciado, aos que estudaram ou vivenciam esse fenômeno, que o Mestre estava
falando mesmo era da faculdade mediúnica. Entretanto, por conta dos tradutores
ou dos teólogos, essa realidade ficou comprometida no texto bíblico.
Entretanto, como é impossível “tapar o sol com uma peneira”, podemos
perfeitamente identificá-la, apesar de todo o esforço para escondê-la.
O evangelista Mateus
narra o seguinte:
“Eis que eu envio
vocês como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as
serpentes e simples como as pombas. Tenham cuidado com os homens, porque eles
entregarão vocês aos tribunais e açoitarão vocês nas sinagogas deles. Vocês vão
ser levados diante de governadores e reis, por minha causa, a fim de serem
testemunhas para eles e para as nações. Quando entregarem vocês, não fiquem
preocupados como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será
sugerido a vocês o que vocês devem dizer. Com efeito, não serão vocês que irão
falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”. (10,16-20).
A primeira observação que
faremos é que por ter tentado a Eva, dizem que a serpente seria o próprio
satanás, entretanto, isso fica estranho, porquanto o próprio Jesus nos
recomenda sermos prudentes como as serpentes. Esse fato demonstra que tal associação
é apenas fruto do dogmatismo que só produz o fanatismo religioso.
Essa fala de Jesus é
inequívoca quanto ao fenômeno mediúnico: “não fiquem preocupados
como ou com aquilo que vocês vão falar, porque, nessa hora, será sugerido a
vocês”, e arremata: “Com efeito, não serão vocês que
irão falar, e sim o Espírito do Pai de vocês é quem falará através de vocês”.
A tentativa de esconder o fenômeno fica por conta da expressão “o Espírito do
Pai”, quando a realidade é “um Espírito do Pai” a mudança do artigo indefinido
para o artigo definido tem como objetivo principal desvirtuar a fenomenologia
em primeiro plano e em segundo, mais um ajuste de texto bíblico para apoiar a
trindade divina copiada dos povos pagãos.
O filósofo e teólogo
Carlos Torres Pastorino abordando a questão da mudança do artigo, diz:
“...Novamente sem artigo.
Repisamos: a língua grega não possuía artigos indefinidos. Quando a palavra era
determinada, empregava-se o artigo definido ‘ho, he, to’. Quando era
indeterminada (caso em que nós empregamos o artigo indefinido), o grego deixava
a palavra sem artigo. Então quando não aparece em grego o artigo, temos que
colocar, em português, o artigo indefinido: UM espírito santo, e nunca traduzir
com o definido: O espírito santo”. (Sabedoria do Evangelho, volume 1,
pág 43).
Se sustentarmos a
expressão “o Espírito do Pai” teremos forçosamente que admitir que o próprio
Deus venha a se manifestar num ser humano. Pensamento absurdo como esse só pode
ser pela falta de compreensão da grandeza de Deus. Dizem os cientistas que no
cosmo há 100 bilhões de galáxias, cada uma delas com cerca de 100 bilhões de
estrelas, fazendo do Universo uma coisa fora do alcance de nossa limitada
imaginação, mas, mesmo que a custa de um grande esforço, vamos imaginar tamanha
grandeza. Bom, façamos agora a pergunta: o que criou tudo isso? Diante disso,
admitir que esse ser possa estar pessoalmente inspirando uma pessoa é fora de
proposto, coisa aceitável a de povos primitivos, cujos conhecimentos não lhes
permitem ir mais longe, por restrição imposta pelo seu hábitat.
A mediunidade no apostolado
Um fato, que reputamos
como de inquestionável ocorrência da mediunidade, aconteceu logo depois da
morte de Jesus, quando os discípulos reunidos receberam“como que línguas de
fogo” e começaram a falar em línguas, de tal sorte que, apesar da
heterogeneidade do povo que os ouvia, cada um entendia o que falavam em sua
própria língua. Fato extraordinário registrado no livro Atos dos Apóstolos,
desta forma:
“Quando chegou o dia de
Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do
céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se
encontravam. Apareceram então umas como línguas de fogo, que se espalharam e
foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e
começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que
falassem. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações
do mundo. Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois
cada um ouvia, na sua própria língua, os discípulos falarem”. (Atos 2, 1-6).
Aqui podemos identificar
o fenômeno mediúnico conhecido como xenoglossia, que na definição do Aurélio é:
A fala espontânea em língua(s) que não fora(m) previamente aprendida(s). Mas,
como da vez anterior, tentam mudar o sentido, para isso alteram o artigo
indefinido para o definido, quando a realidade seria exatamente que estavam
“repletos de um Espírito santo (bom)”.
Fato semelhante
aconteceu, um pouco mais tarde, nomeado como o Pentecostes dos pagãos:
“Pedro ainda estava
falando, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra. Os
fiéis de origem judaica, que tinham ido com Pedro, ficaram admirados de que o
dom do Espírito Santo também fosse derramado sobre os pagãos. De fato, eles os
ouviam falar em línguas estranhas e louvar a grandeza de Deus...” (At 10, 44-46).
Episódio que confirma que “Deus
não faz acepção de pessoas” (At 10,34), daí podermos estender à
mediunidade como uma faculdade exclusiva a um determinado grupo religioso, mas
existindo em todos segmentos em suas expressões de religiosidade.
A mediunidade como era “transmitida”
A bem da verdade não há
como ninguém transmitir a mediunidade para outra pessoa, entretanto, pelos
relatos bíblicos, a imposição das mãos fazia com que houvesse sua eclosão,
óbvio que naqueles que a possuíam em estado latente. Vejamos algumas situações
em que isso ocorreu.
Em Atos 8, 17-18:
“Então Pedro e João
impuseram as mãos sobre os samaritanos, e eles receberam o Espírito Santo.
Simão viu que o Espírito Santo era comunicado através da imposição das mãos.
Dêem para mim também esse poder, a fim de que receba o Espírito todo aquele
sobre o qual eu impuser as mãos”.
Simão era um mago que,
com suas artes mágicas, deixava o povo da região de Samaria maravilhado. Mas,
ao ver o “poder” de Pedro e João, ficou impressionado com o que fizeram, daí
lhes oferece dinheiro a fim de que dessem a ele esse poder, para que sobre
todos os que ele impusesse as mãos, também recebessem o Espírito Santo.
Em Atos 19, 1-7:
“Enquanto Apolo estava em
Corinto, Paulo atravessou as regiões mais altas e chegou a Éfeso. Encontrou aí
alguns discípulos, e perguntou-lhes: ‘Quando vocês abraçaram a fé receberam o
Espírito Santo?’ Eles responderam: ‘Nós nem sequer ouvimos falar que existe um
Espírito Santo’. Paulo perguntou: ‘Que batismo vocês receberam?’ Eles
responderam: ‘O batismo de João’. Então Paulo explicou: ‘João batizava como
sinal de arrependimento e pedia que o povo acreditasse naquele que devia vir
depois dele, isto é, em Jesus’. Ao ouvir isso, eles se fizeram batizar em nome
do Senhor Jesus. Logo que Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu
sobre eles, e começaram a falar em línguas e a profetizar. Eram, ao todo, doze
homens”.
Será que podemos entender
que o batismo de Jesus é “receber o Espírito Santo”, conseguido pela imposição
das mãos? A narrativa nos leva a aceitar essa hipótese, apenas mantemos a
ressalva feita anteriormente quanto à expressão “o Espírito Santo”.
A mediunidade como os dons do
Espírito
Na estrada de Damasco,
Paulo, que até então perseguia os cristãos, numa ocorrência transcendente, se
encontra com Jesus, passando, a partir daí, a segui-lo. Durante o seu
apostolado se comunicava diretamente com o Espírito de Jesus, demonstrando sua
incontestável mediunidade.
Aliás, o apóstolo Paulo
foi quem mais entendeu do fenômeno mediúnico, tanto que existem recomendações
preciosas de sua parte aos agrupamentos cristãos de então. Ele o chamava de “dons
do Espírito”. “Sobre os dons do Espírito, irmãos, não quero que
vocês fiquem na ignorância” (1Cor 12,1), mostrando-se interessado em
que todos pudessem conhecer tais fenômenos.
E esclarece o apóstolo
dos gentios:
“Existem dons diferentes,
mas o Espírito é o mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo;
diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um
recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um, o
Espírito dá a palavra de sabedoria; a outro, a palavra de ciência segundo o
mesmo Espírito; a outro, o mesmo Espírito dá a fé; a outro ainda, o único e
mesmo Espírito concede o dom das curas; a outro, o poder de fazer milagres; a
outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, o dom de
falar em línguas; a outro ainda, o dom de as interpretar. Mas é o único e mesmo
Espírito quem realiza tudo isso, distribuindo os seus dons a cada um, conforme
ele quer”. (1 Cor 12,4-11).
Novamente, mudando-se “o
Espírito” para “um Espírito”, estaremos diante da faculdade mediúnica, basta
“ter olhos de ver”.
Ao que parece, naquela
época, os médiuns se preocupavam mais com a xenoglossia Paulo para desfazer
esse engano novamente faz outras recomendações aos coríntios (1Cor 14,1-25).
Disse ele:
“...aspirem aos dons
do Espírito, principalmente à profecia. Pois aquele que fala em línguas não
fala aos homens, mas a Deus. Ninguém o entende, pois ele, em espírito, diz
coisas incompreensíveis. Mas aquele que profetiza fala aos homens: edifica,
exorta, consola. Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo, ao passo que
aquele que profetiza edifica a assembléia. Eu desejo que vocês todos falem em
línguas, mas prefiro que profetizem. Aquele que profetiza é maior do que aquele
que fala em línguas, a menos que este mesmo as interprete, para que a
assembléia seja edificada...”.
Conclusão
Como apregoa a Doutrina
Espírita o fenômeno mediúnico nada mais é que uma ocorrência de ordem natural.
Podemos identificá-lo desde os mais remotos tempos da humanidade, e não poderia
ser diferente, pois, em se tratando de uma manifestação de uma faculdade
humana, deverá ser mesmo tão velha quanto a permanência do homem aqui na Terra.
Mas, infelizmente, a
intolerância religiosa, a ignorância e, por vezes, a má-vontade, não permitiu
que fosse divulgada da forma correta, ficando mais por conta de uma ocorrência
sobrenatural, que só acontecia a uns poucos privilegiados. Coube ao Espiritismo
a desmistificação desse fenômeno, bem como a sua explicação racional. Kardec
nos deixou um legado importantíssimo para todos que possam se interessar pelo
assunto, quando lança O Livro dos Médiuns, que recomendamos aos que
buscam o conhecimento dessa fenomenologia, ainda muito incompreendida em nossos
dias.
Aceitação é difícil? Ou seria fácil?
A mente costuma distorcer e nos fazer acreditar que agir da forma mais fácil que há é a mais difícil. Quando estamos passando por alguma situação que vemos como negativa, a reação mais difícil é a não-aceitação e a mais fácil é a aceitação. Mas não seria o contrário? Não. É que quando não aceitamos a situação, criamos uma resistência interior desconfortável que nos faz sofrer.
A não-aceitação é um brigar com uma realidade que já é. Nada pode ser mais difícil ou insano do que isso. Os momentos que se sucedem são do jeito que são. Muitos deles não tomam a forma que nós desejamos. Quando isso ocorre, surge um sofrimento interior ao qual chamamos de não-aceitação. As pessoas agem da maneira que agem, têm seu próprio comportamento e modo de pensar. E quando elas não agem conforme nós gostaríamos, surge também a não-aceitação.
Essa resistência não tem poder algum de mudar a situação exterior ou o comportamento de alguém. Mas, inconscientemente, é como se achássemos que nossas reclamações mentais e nosso desconforto interno fosse mudar algo.
A não-aceitação vem sendo praticada pela humanidade há milênios, por isso está bastante enraizada no inconsciente coletivo, moldando nossa forma de pensar, fazendo parecer que é algo natural. É comum agir dessa forma, mas não é saudável. Os níveis de aceitação variam de pessoa pra pessoa. Quanto mais uma determinada pessoa não aceita as coisas do jeito que são, mais ela sofre.
Precisamos, então, praticar a aceitação, de forma paciente e persistente, porque a nossa mente está viciada em resistir e causar sofrimento. Me pego muitas vezes por dia tendo pensamentos de não-aceitação que não mudam em nada a situação externa, mas que me trazem desconforto interior. Quando percebo, dou-me conta da insanidade que é esse tipo de pensamento e procuro abandoná-lo. Isso acontece desde pequenas coisas até eventos mais significativos.
Agora mesmo ao escrever esse texto, o cursor do computador às vezes muda sozinho de local e vai parar em outro local da página. Eu tenho que pegar o mouse, retornar para o ponto certo e corrigir o erro. Não sei porque meu computador faz isso sozinho. Automaticamente, surge uma irritação, que nada mais é do que uma resistência interior. Reclamações inconscientes do tipo "isso não deveria ter acontecido; droga, agora tenho que parar o texto e redigitar algumas coisas; não entendo porque isso acontece". No momento em que percebo, procuro simplesmente observar e soltar esse desconforto porque ele não muda em nada o que aconteceu nem o que eu tenho que fazer; causa-me apenas mal-estar.
O desconforto surge de forma automática pelo longo condicionamento mental que vem sendo passado de geração em geração. Mas isso não significa que não possa ser mudado. Com a prática, eu percebo que minha mente vem reclamando e resistindo menos. Cada vez mais rapidamente, consigo perceber e largar esses pensamentos de resistência. As vezes eu me deixo levar por eles mais do que poderia. O importante é continuar praticando sempre, e os progressos ocorrem certamente.
Quando alguém é antipático, grosseiro, ou age de uma forma contrária às nossas expectativas, o gatilho da não-aceitação é disparado em nós, gerando raiva, irritação e outros sentimentos. Outro dia, fui a uma padaria, dei um sonoro "boa tarde" mas a atendente do caixa não respondeu. Fez sua tarefa de forma automática a não me deu qualquer atenção. Estava com a cabeça em outro lugar. Rapidamente, surgem os pensamentos de irritação: "Nossa, que moça mal educada!". Percebi o que ocorreu, larguei o pensamento e fiquei em paz. Deixei a moça ser do jeito que ela é. Não briguei mais com o que aconteceu. Quando você aceita, é como se você se tornasse transparente e, assim, as ofensas e outras coisas que poderiam ser desagradáveis passam através de nós.
São exemplos simples, mas servem para qualquer tipo de situação. No meu caso, percebo que às vezes tenho mais facilidade em aceitar fatos considerados maiores dos que os pequenos. Certa vez, um motorista fez uma manobra maluca e acertou em cheio o meu carro, provocando um acidente que poderia ter sido grave. Muitos danos materiais, mas felizmente nenhum dano físico. O interessante é que quando isso ocorreu, saí do carro 100% em paz e fui até o carro do outro motorista para saber se ele estava bem. Fiz tudo que era possível ser feito, tomei as ações necessários, sem precisar da raiva, irritação, ou qualquer outro tipo de resistência interior.
Sempre que se fala sobre aceitação, algumas pessoas dizem que é ela a responsável pela falta de ação. Justificam que, quando você aceita algo, você fica passivo, não toma nenhuma atitude e permite, assim, que pessoas passem por cima dos seus direitos e dos direitos alheios. No entanto, a falta de ação é gerada por outros problemas emocionais que as pessoas têm ligados à auto-estima: sentimentos de não-merecimento, sentir-se inferior, ter dificuldade em dizer não, medo de não ser aceito, medo de ser julgado... Tudo isso pode e deve ser trabalhado com a EFT.
Existe até uma cobrança social para que se reaja de forma emocional a determinados eventos. Já observei pessoas comentando "como fulano pode ficar assim tão tranqüilo diante dessa situação? Parece que não tem sangue correndo nas veias".
Certa vez, em um momento de tranqüilidade que tive em uma situação tipicamente estressante, uma pessoa que estava super irritada com a mesma situação me disse que ela até gostaria de ficar calma, mas que era muito difícil ficar como eu naquela hora. Nesse momento, o pensamento que me veio foi o contrário. Olhei para a outra pessoa e cheguei a conclusão que o difícil era reagir daquela forma, não aceitando e se estressando com a situação, simplesmente, por que causava um grande sofrimento e não resolvia nada. Só que em outros momentos, eu acabo caindo exatamente no mesmo mecanismo de resistência interior. Por isso é importante a prática. A aceitação é o fácil que a mente distorce e interpreta como sendo algo difícil.
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/meditacao-diaria/aceitacao-e-dificil-ou-seria-facil/#ixzz1XI7v6mIU
A não-aceitação é um brigar com uma realidade que já é. Nada pode ser mais difícil ou insano do que isso. Os momentos que se sucedem são do jeito que são. Muitos deles não tomam a forma que nós desejamos. Quando isso ocorre, surge um sofrimento interior ao qual chamamos de não-aceitação. As pessoas agem da maneira que agem, têm seu próprio comportamento e modo de pensar. E quando elas não agem conforme nós gostaríamos, surge também a não-aceitação.
Essa resistência não tem poder algum de mudar a situação exterior ou o comportamento de alguém. Mas, inconscientemente, é como se achássemos que nossas reclamações mentais e nosso desconforto interno fosse mudar algo.
A não-aceitação vem sendo praticada pela humanidade há milênios, por isso está bastante enraizada no inconsciente coletivo, moldando nossa forma de pensar, fazendo parecer que é algo natural. É comum agir dessa forma, mas não é saudável. Os níveis de aceitação variam de pessoa pra pessoa. Quanto mais uma determinada pessoa não aceita as coisas do jeito que são, mais ela sofre.
Agora mesmo ao escrever esse texto, o cursor do computador às vezes muda sozinho de local e vai parar em outro local da página. Eu tenho que pegar o mouse, retornar para o ponto certo e corrigir o erro. Não sei porque meu computador faz isso sozinho. Automaticamente, surge uma irritação, que nada mais é do que uma resistência interior. Reclamações inconscientes do tipo "isso não deveria ter acontecido; droga, agora tenho que parar o texto e redigitar algumas coisas; não entendo porque isso acontece". No momento em que percebo, procuro simplesmente observar e soltar esse desconforto porque ele não muda em nada o que aconteceu nem o que eu tenho que fazer; causa-me apenas mal-estar.
O desconforto surge de forma automática pelo longo condicionamento mental que vem sendo passado de geração em geração. Mas isso não significa que não possa ser mudado. Com a prática, eu percebo que minha mente vem reclamando e resistindo menos. Cada vez mais rapidamente, consigo perceber e largar esses pensamentos de resistência. As vezes eu me deixo levar por eles mais do que poderia. O importante é continuar praticando sempre, e os progressos ocorrem certamente.
Quando alguém é antipático, grosseiro, ou age de uma forma contrária às nossas expectativas, o gatilho da não-aceitação é disparado em nós, gerando raiva, irritação e outros sentimentos. Outro dia, fui a uma padaria, dei um sonoro "boa tarde" mas a atendente do caixa não respondeu. Fez sua tarefa de forma automática a não me deu qualquer atenção. Estava com a cabeça em outro lugar. Rapidamente, surgem os pensamentos de irritação: "Nossa, que moça mal educada!". Percebi o que ocorreu, larguei o pensamento e fiquei em paz. Deixei a moça ser do jeito que ela é. Não briguei mais com o que aconteceu. Quando você aceita, é como se você se tornasse transparente e, assim, as ofensas e outras coisas que poderiam ser desagradáveis passam através de nós.
São exemplos simples, mas servem para qualquer tipo de situação. No meu caso, percebo que às vezes tenho mais facilidade em aceitar fatos considerados maiores dos que os pequenos. Certa vez, um motorista fez uma manobra maluca e acertou em cheio o meu carro, provocando um acidente que poderia ter sido grave. Muitos danos materiais, mas felizmente nenhum dano físico. O interessante é que quando isso ocorreu, saí do carro 100% em paz e fui até o carro do outro motorista para saber se ele estava bem. Fiz tudo que era possível ser feito, tomei as ações necessários, sem precisar da raiva, irritação, ou qualquer outro tipo de resistência interior.
Existe até uma cobrança social para que se reaja de forma emocional a determinados eventos. Já observei pessoas comentando "como fulano pode ficar assim tão tranqüilo diante dessa situação? Parece que não tem sangue correndo nas veias".
Certa vez, em um momento de tranqüilidade que tive em uma situação tipicamente estressante, uma pessoa que estava super irritada com a mesma situação me disse que ela até gostaria de ficar calma, mas que era muito difícil ficar como eu naquela hora. Nesse momento, o pensamento que me veio foi o contrário. Olhei para a outra pessoa e cheguei a conclusão que o difícil era reagir daquela forma, não aceitando e se estressando com a situação, simplesmente, por que causava um grande sofrimento e não resolvia nada. Só que em outros momentos, eu acabo caindo exatamente no mesmo mecanismo de resistência interior. Por isso é importante a prática. A aceitação é o fácil que a mente distorce e interpreta como sendo algo difícil.
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/meditacao-diaria/aceitacao-e-dificil-ou-seria-facil/#ixzz1XI7v6mIU
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Verdadeiro Amor
Estavam casados há dezenove anos. Tinham um filho.
Numa manhã de primavera, o marido pediu o divórcio. Confessou já ter outra companheira com quem bem se entendia e desejava viver.
A esposa ficou chocada mas, em vez do escândalo que ele esperava, ela simplesmente lhe pediu para aguardar trinta dias.
E, como cláusula adicional para o deixar seguir sua vida, lhe exigiu que, durante aquele período, a cada manhã, ele a transportasse em seus braços do quarto para a sala de jantar.
Que são trinta dias para quem poderia gozar a liberdade depois?
No dia seguinte, ele a transportou do quarto para a sala de jantar e saiu para o trabalho. Quando retornou à noite, ela estava sentada à mesa e escrevia.
Assim foi no segundo e nos demais dias. No vigésimo primeiro dia, quando ele a apanhou nos braços, ela recostou sua cabeça no ombro dele.
Aquilo o fez recordar dos dias primeiros da união matrimonial. Um doce enlevo pareceu envolvê-lo, mas ele jogou longe os pensamentos.
No vigésimo quinto dia, quando ele a estava levando para a sala de jantar, o filho os surpreendeu. Olhou a ambos, sorriu e comentou:
Olha o casalzinho namorando... Legal, hein, pai!
Aquilo mexeu com ele. Faltavam somente cinco dias para sua liberdade.
Mas ele começara a sentir algo estranho dentro dele. Já não tinha tanta certeza se desejava mesmo ficar com a outra companheira, deixando esta.
Os dias do namoro, o romantismo dos primeiros anos principiava, de forma insistente, a surgir na tela da sua mente.
Ele passou a se dar conta que, a cada dia, a esposa estava mais leve. Pensou que deveria ser por já se ter habituado àquele ritual matutino.
No trigésimo dia, ele desfez o compromisso com a outra companheira. Ela ficou muito zangada e disse que a esposa usara de subterfúgios para o seduzir novamente.
Raivosa, o despachou.
Ele comprou flores no caminho. Entrou cantando em casa. Mas a esposa não estava na sala, como habitualmente.
Foi ao quarto. Ela estava deitada. Ele se aproximou, curvou-se para beijá-la. Sentiu-a gélida. Ela estava morta.
Sobre a mesa de cabeceira, um envelope nominado a ele. Abriu-o e começou a ler. Era uma longa carta, aquela que ele a vira escrever, dia após dia.
Entre lágrimas leu que, no dia em que ele lhe pedira o divórcio, ela havia se preparado para lhe dizer do diagnóstico que recebera.
E de que teria somente trinta dias de vida. Por isso, para que ele não se sentisse culpado e ficasse verdadeiramente livre, ela pedira aquele prazo e a atenção toda manhã.
Agora, ele estava livre para buscar o amor que desejava. Ela se fora.
O homem chorou e chorou. Chorou a perda do seu grande amor. Um amor que, mesmo não mais sendo amado, pensara nele, na sua felicidade.
Um imenso amor como poucos...
Redação do Momento Espírita, com base em fato narrado por Divaldo Pereira Franco, em Conferência proferida em Pinhais, PR
Fonte: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/verdadeiro-amor-!/?PHPSESSID=c29d1fb87b69b0bfea7aa34b3af8e969#ixzz1WqAs7800
Numa manhã de primavera, o marido pediu o divórcio. Confessou já ter outra companheira com quem bem se entendia e desejava viver.
A esposa ficou chocada mas, em vez do escândalo que ele esperava, ela simplesmente lhe pediu para aguardar trinta dias.
E, como cláusula adicional para o deixar seguir sua vida, lhe exigiu que, durante aquele período, a cada manhã, ele a transportasse em seus braços do quarto para a sala de jantar.
Que são trinta dias para quem poderia gozar a liberdade depois?
No dia seguinte, ele a transportou do quarto para a sala de jantar e saiu para o trabalho. Quando retornou à noite, ela estava sentada à mesa e escrevia.
Assim foi no segundo e nos demais dias. No vigésimo primeiro dia, quando ele a apanhou nos braços, ela recostou sua cabeça no ombro dele.
Aquilo o fez recordar dos dias primeiros da união matrimonial. Um doce enlevo pareceu envolvê-lo, mas ele jogou longe os pensamentos.
No vigésimo quinto dia, quando ele a estava levando para a sala de jantar, o filho os surpreendeu. Olhou a ambos, sorriu e comentou:
Olha o casalzinho namorando... Legal, hein, pai!
Aquilo mexeu com ele. Faltavam somente cinco dias para sua liberdade.
Mas ele começara a sentir algo estranho dentro dele. Já não tinha tanta certeza se desejava mesmo ficar com a outra companheira, deixando esta.
Os dias do namoro, o romantismo dos primeiros anos principiava, de forma insistente, a surgir na tela da sua mente.
Ele passou a se dar conta que, a cada dia, a esposa estava mais leve. Pensou que deveria ser por já se ter habituado àquele ritual matutino.
No trigésimo dia, ele desfez o compromisso com a outra companheira. Ela ficou muito zangada e disse que a esposa usara de subterfúgios para o seduzir novamente.
Raivosa, o despachou.
Ele comprou flores no caminho. Entrou cantando em casa. Mas a esposa não estava na sala, como habitualmente.
Foi ao quarto. Ela estava deitada. Ele se aproximou, curvou-se para beijá-la. Sentiu-a gélida. Ela estava morta.
Sobre a mesa de cabeceira, um envelope nominado a ele. Abriu-o e começou a ler. Era uma longa carta, aquela que ele a vira escrever, dia após dia.
Entre lágrimas leu que, no dia em que ele lhe pedira o divórcio, ela havia se preparado para lhe dizer do diagnóstico que recebera.
E de que teria somente trinta dias de vida. Por isso, para que ele não se sentisse culpado e ficasse verdadeiramente livre, ela pedira aquele prazo e a atenção toda manhã.
Agora, ele estava livre para buscar o amor que desejava. Ela se fora.
O homem chorou e chorou. Chorou a perda do seu grande amor. Um amor que, mesmo não mais sendo amado, pensara nele, na sua felicidade.
Um imenso amor como poucos...
Redação do Momento Espírita, com base em fato narrado por Divaldo Pereira Franco, em Conferência proferida em Pinhais, PR
Fonte: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/verdadeiro-amor-!/?PHPSESSID=c29d1fb87b69b0bfea7aa34b3af8e969#ixzz1WqAs7800
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Júpiter e alguns outros mundos
Revista Espírita, março de 1858
Antes de entrarmos nos detalhes das revelações que os Espíritos nos fizeram, sobre o estado dos diferentes mundos, vejamos a quais conseqüências lógicas poderemos chegar, por nós mesmos e unicamente pelo raciocínio. Reportando-se à escala espírita que demos no precedente número, pedimos às pessoas desejosas de aprofundarem seriamente essa ciência nova, estudarem com cuidado esse quadro e dele se compenetrarem; nele encontrarão a chave de mais de um mistério.
O mundo dos Espíritos se compõe de almas de todos os humanos desta Terra e de outras esferas, desligadas dos laços corporais; do mesmo modo, todos os humanos são animados por Espíritos neles encarnados. Há, pois, solidariedade entre os dois mundos: os homens terão as qualidades e as imperfeições dos Espíritos com os quais estão unidos; os Espíritos serão mais ou menos bons ou maus, segundo os progressos que tiverem feito durante a sua existência corporal. Essas poucas palavras resumem toda a doutrina. Como os atos dos homens são o produto do seu livre arbítrio, levam a marca da perfeição ou da imperfeição do Espírito que os provocam. Ser-nos-á, pois, muito fácil fazermos uma idéia do estado moral de um mundo qualquer, segundo a natureza dos Espíritos que o habitem; poderemos, de algum modo, descrever a sua legislação, traçar o quadro dos seus costumes, dos seus usos, das suas relações sociais. Suponhamos, pois, um globo habitado, exclusivamente, por Espíritos da nona classe, por Espíritos impuros, e a ele nos transportemos pelo pensamento. Nele veremos todas as paixões desencadeadas e sem freio; o estado moral no último grau de embrutecimento; a vida animal em toda a sua brutalidade; nada de laços sociais, porque cada um não vive e não age senão para si e para satisfazer os seus apetites grosseiros; o egoísmo nele reina com soberania absoluta, e arrasta consigo o ódio, a inveja, o ciúme, a cupidez, a morte.
Passemos, agora, para uma outra esfera, onde se encontrem Espíritos de todas as classes da terceira ordem: Espíritos impuros, Espíritos levianos, Espíritos pseudo-sábios, Espíritos neutros. Sabemos que, em todas as classes dessa ordem, o mal domina; mas, sem terem o pensamento do bem, o do mal decresce à medida que se afastam da última classe, O egoísmo é sempre o móvel principal das ações, mas os costumes são mais brandos, a inteligência mais desenvolvida; o mal, aí, estará um pouco disfarçado, enfeitado e dissimulado. Essas próprias qualidades, engendram um outro defeito, que é o orgulho; porque as classes mais elevadas são bastante esclarecidas para terem consciência da sua superioridade, mas não o bastante para compreenderem o que lhes falta; daía sua tendência à escravização das classes inferiores, e de raças mais fracas, que tenham sob o seu jugo. Não tendo o sentimento do bem, não têm senão o instinto do eu e acionam a sua inteligência para satisfazerem as suas paixões. Numa tal sociedade, se o elemento impuro domina, esmagará o outro; no caso contrário, os menos maus procurarão destruir os seus adversários; em todos os casos, haverá luta, luta sangrenta, luta de extermínio, porque são dois elementos que têm interesses opostos. Para proteger os bens e as pessoas, serão necessárias leis; mas essas leis serão ditadas pelo interesse pessoal e não pela justiça; o forte as fará, em detrimento do fraco.
Suponhamos, agora, um mundo onde, entre os elementos maus que acabamos de ver, se encontrem alguns dos de segunda ordem; então, em meio da perversidade, veremos aparecer algumas virtudes. Se os bons estiverem em minoria, serão vítimas dos maus; mas, à medida que aumente a sua preponderância, a legislação será mais humana, mais eqüitativa, e a caridade cristã não será, para todos, uma letra morta. Desse próprio bem, vai nascer um outro vício. Malgrado a guerra que os maus declarem, sem cessar, aos bons, não poderão impedi-los de os estimar em seu foro íntimo; vendo a ascendência da virtude sobre o vício, e não tendo nem a força e nem a vontade de praticá-la, procurarão parodiá-la; tomam-lhe a máscara; daí os hipócritas, tão numerosos em toda sociedade onde a civilização é imperfeita.
Continuemos nossa rota através dos mundos, e detenhamo-nos neste, que nos vai repousar um pouco do triste espetáculo que acabamos de ver. Não é habitado senão por Espíritos da segunda ordem. Que diferença! O grau de depuração que alcançaram exclui, entre eles, todo pensamento do mal, e só essa palavra nos dá a idéia do estado moral dessa feliz região. A legislação, aí, é bem simples, porque os, homens não têm do que se defenderem, uns contra os outros; ninguém quer o mal para o seu próximo, ninguém se apropria do que não lhe pertence, ninguém procura viver em detrimento do seu vizinho. Tudo respira a benevolência e o amor; os homens não procuram se prejudicar; não há ódio; o egoísmo é desconhecido e a hipocrisia não teria finalidade. Aí, todavia, não reina a igualdade absoluta, porque a igualdade absoluta supõe uma identidade perfeita no desenvolvimento intelectual e moral; ora, veremos, pela escala espiritual, que a segunda ordem compreende vários graus de desenvolvimento; haverá, pois, nesse mundo, desigualdades, porque uns serão mais avançados do que outros; mas, como entre eles não há senão o pensamento do bem, os mais elevados não conceberão nada de orgulho, e os outros nada de ciúme. O inferior compreende a ascendência do superior e se submete, porque essa ascendência é puramente moral e ninguém dela se serve para oprimir.
As conseqüências que tiramos, desses quadros, embora apresentadas de um modo hipotético, não deixam de ser perfeitamente racionais, e, cada um pode deduzir o estado social de um mundo qualquer, segundo a proporção dos elementos morais dos quais se o supõe composto. Vimos que, abstração feita da revelação dos Espíritos, todas as probabilidades são para a pluralidade dos mundos; ora, não é menos racional pensar que todos não estão num mesmo grau de perfeição, e que, por isso mesmo, nossas suposições podem muito bem ser realidades. Não os conhecemos, senão o nosso, de um modo positivo. Que categoria ele ocupa nessa hierarquia? Ah! basta considerar o que aqui se passa para ver que está longe de merecer a primeira categoria, e estamos convencidos de que, lendo estas linhas, já se lhe terá marcado seu lugar. Quando os Espíritos nos dizem que estão, senão na última, pelo menos nas últimas, o simples bom senso nos diz, infelizmente, que não se enganam; temos muito a fazer para elevá-lo à categoria daquele que escrevemos em último lugar, e temos muita necessidade que o Cristo venha nos mostrar o caminho.
Quanto à aplicação, que podemos fazer, do nosso raciocínio, aos diferentes globos do nosso turbilhão planetário, não temos senão os ensinamentos dos Espíritos; ora, para quem não admite senão provas palpáveis, é positivo que sua asserção, a esse respeito, não tenha a certeza da experimentação direta. No entanto, não aceitamos, todos os dias com confiança as descrições, que os viajantes nos fazem, de países que jamais vimos? Se nós não devêssemos crer senão por nossos olhos, não creríamos em grande coisa. O que dá aqui, um certo peso ao dizer dos Espíritos, é a correlação que existe entre eles, pelo menos nos pontos principais. Para nós, que fomos cem vezes testemunhas dessas comunicações, que pudemos apreciá-las em seus menores detalhes, que nelas escrutamos o forte e o fraco, observamos as semelhanças e as contradições, encontramos todos os caracteres da probabilidade; todavia, não lhes damos senão sob benefício de inventário, a título de notícias, aos quais cada um está livre para ligar a importância que julga adequada. Segundo os Espíritos, o planeta Marte seria ainda menos avançado do que a Terra; os Espíritos que nele estão encarnados pareceriam pertencer, quase exclusivamente, à nona classe, a dos Espíritos impuros, de sorte que o primeiro quadro, que demos acima, seria a imagem desse mundo. Vários outros pequenos globos estão, com algumas nuanças, na mesma categoria. A Terra viria em seguida; a maioria de seus habitantes pertence, incontestavelmente, a todas as classes da terceira ordem, e a parte menor às últimas classes da segunda ordem. Os Espíritos superiores, os da segunda e da terceira classe, nela cumprem, algumas vezes, uma missão de civilização e progresso, e são exceções. Mercúrio e Saturno vêm depois da Terra. A superioridade numérica de bons Espíritos lhes dá a preponderância sobre os Espíritos inferiores, do que resulta uma ordem social mais perfeita, relações menos egoístas, e, por conseqüência, uma condição de existência mais feliz. A Luae Vênus estão quase no mesmo grau e, sob todos os aspectos, mais avançados do que Mercúrio e Saturno. Juno (Juno é o nome de uma divindade itálica. Deve ter ocorrido um lapso do autor, uma vez que não ha, no nosso sistema solar, nenhum planeta com este nome. N. do T.) e Urano seriam ainda superiores a esses últimos. Pode-se supor que os elementos morais, desses dois planetas, são formados das primeiras classes da terceira ordem e, na grande maioria, de Espíritos da segunda ordem. Os homens, neles, são infinitamente mais felizes do que sobre a Terra, pela razão de que não têm nem as mesmas lutas a sustentar, nem as mesmas tribulações a suportar, e não estão expostos às mesmas vicissitudes físicas e morais.
De todos os planetas, o mais avançado, sob todos os aspectos, é Júpiter. Ali, é o reino exclusivo do bem e da justiça, porque não há senão bons Espíritos.Pode-se fazer um idéia do feliz estado dos seus habitantes pelo quadro que demos do mundo habitado sem a participação dos Espíritos da segunda ordem.
A superioridade de Júpiter não está somente no estado moral dos seus habitantes; está, também, na sua constituição física. Eis a descrição que nos foi dada, desse mundo privilegiado, onde encontramos a maioria dos homens de bem que honraram nossa Terra pelas suas virtudes e seus talentos.
A conformação dos corpos é quase a mesma desse mundo, mas é menos material, menos denso e de uma maior leveza específica. Ao passo que rastejamos penosamente na Terra, o habitante de Júpiter se transporta, de um lugar para outro, roçando a superfície do solo, quase sem fadiga, como o pássaro no ar ou o peixe na água. Sendo a matéria, da qual o corpo está formado, mais depurada, ela se dissipa, depois da morte, sem ser submetida à decomposição pútrida. Ali não existe a maioria das enfermidades que nos afligem, sobretudo aquelas que têm sua fonte nos excessos de todos os gêneros e na desordem causada pelas paixões. A alimentação está em relação com essa organização etérea; não seria bastante substanciosa para os nossos estômagos grosseiros, e a nossa seria muito pesada para eles; ela se compõe de frutas e plantas, e, aliás, haurem, de algum modo, a maior parte do meio ambiente do qual aspiram as emanações nutritivas. A duração da vida é, proporcionalmente, muito maior que sobre a Terra; a média equivale a cinco dos nossos séculos. O desenvolvimento também é muito mais rápido, e a infância dura apenas alguns de nossos meses.
Sob esse envoltório leve, os Espíritos se desligam facilmente e entram em comunicação recíproca unicamente pelo pensamento, sem excluir, todavia, a linguagem articulada; também a segunda vista é, para a maioria uma faculdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao dos nossos sonâmbulos lúcidos; é também porque se manifestam, a nós, mais facilmente do que aqueles que estão encarnados em mundos mais grosseiros e mais materiais. A intuição que têm do futuro, a segurança que lhes dá uma consciência isenta de remorsos, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão; vêem-na chegar sem medo e como uma simples transformação.
Os animais não estão excluídos desse estado progressivo, sem se aproximarem, entretanto, do homem, mesmo sob o aspecto físico; seus corpos, mais materiais ligam-se ao solo, como nós à Terra. Sua inteligência ó mais desenvolvida do que nos nossos; a estrutura dos seus membros se dobra a todas exigências do trabalho; são encarregados da execução de obras manuais; são os servidores e os operários: as ocupações dos homens são puramente intelectuais. O homem é, para eles, uma divindade, mas uma divindade tutelar que jamais abusa do seu poder para oprimi-los.
Os Espíritos que habitam Júpiter, geralmente, se comprazem, quando querem se comunicar conosco na descrição do seu planeta, e quando se lhes pergunta a razão, respondem que é a fim de nos inspirar o amor ao bem pela esperança de, para lá, ir um dia. Foi com esse objetivo que um deles, que viveu na Terra com o nome de Bernard Palissy, o célebre oleiro do décimo sexto século, empreendeu, espontaneamente e sem ser solicitado para isso, uma série de desenhos tão notáveis, tanto pela sua singularidade quanto pelo talento da execução, e destinado a nos dar a conhecer, até nos menores detalhes, esse mundo tão estranho e tão novo para nós. Alguns retratam personagens, animais, cenas da vida privada; mas, os mais notáveis, são aqueles que representam habitações, verdadeiras obras-primas das quais nada sobre a Terra poderia nos dar uma idéia, porque essa não parece com nada do que conhecemos; é um gênero de arquitetura indescritível, tão original e, no entanto, tão harmoniosa, de uma ornamentação tão rica e tão graciosa, que desafia a mais fecunda imaginação. O senhor Victorien Sardou, jovem literato e dos nossos amigos, cheio de talento e de futuro mas em nada desenhista, lhes serviu de intermediário. Palissy nos promete uma série que nos dará, de algum modo, a monografia ilustrada desse mundo maravilhoso. Esperamos que essa curiosa e interessante coletânea sobre a qual voltaremos num artigo especial consagrado aos médiuns desenhistas, poderá ser, um dia, entregue ao público.
O planeta Júpiter, apesar do quadro sedutor que dele nos foi dado, não é o mais perfeito entre os mundos. Há outros, desconhecidos para nós, que lhes são bem superiores, no físico e no moral, e cujos habitantes gozam de uma felicidade ainda mais perfeita; lá é a morada dos Espíritos mais elevados, cujo envoltório etéreo nada mais tem das propriedades conhecidas da matéria.
Várias vezes, perguntaram-nos se pensamos que a condição do homem nesse mundo é um obstáculo absoluto a que pudesse passar, sem intermediário, da Terra para Júpiter. A todas as questões que tocam à Doutrina Espírita, jamais respondemos segundo as nossas próprias idéias, contra as quais estamos sempre desconfiando. Limitamo-nos a transmitir o ensinamento que nos foi dado, ensinamento que não aceitamos com leviandade e com um entusiasmo irrefletido. À questão acima, respondemos simplesmente, porque tal é o sentido formal das nossas instruções e o resultado das nossas próprias observações: SIM, o homem, deixando a Terra, pode ir imediatamente para Júpiter, ou para um mundo análogo, porque esse não é único dessa categoria. Pode-se disso ter a certeza? NÃO. Pode-se para lá ir porque há, sobre a Terra, embora em pequeno número, Espíritos bastante bons e bastante desmaterializados para não serem deslocados para um mundo onde o mal não tem acesso. Não há a certeza disso, porque pode-se se iludir sobre o mérito pessoal, e pode-se, aliás, ter uma outra missão a cumprir. Aqueles que podem esperar esse favor, não são, seguramente, nem os egoístas, nem os ambiciosos, nem os avaros, nem os ingratos, nem os ciumentos, nem os orgulhosos, nem os vaidosos, nem os hipócritas, nem os sensuais, nem nenhum daqueles que estão dominados pelo amor aos bens terrestres; a estes, talvez, seja preciso, ainda, longas e rudes provas. Isso depende de sua vontade.
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